quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A simplicidade de um sorriso é a dança com o infinito!



“...Os antigos conceitos de jubileu e bacanal se originaram a partir da intuição de que certos eventos  existem foram do “tempo profano”, a unidade de medida da História e do Estado. Essas ocasiões literalmente ocupavam espaços vazios no calendário...” (BEY, Hakim. Zona Autônoma Temporária, Ed. Conrad, São Paulo, pp. 24-25. 2º edição, 2001).


“...Liberto do tempo e do espaço, ele, no entanto, possui  bom faro para o amadurecimento dos eventos e afinidade com o genius loci...” Idem, p. 25.


 Pintura: Matisse


“...Lute pelo direito de festejar...Ela pode até ser planejada, mas se não acontece é um fracasso. A espontaneidade é crucial...” Idem, p. 26

“...— O mundo deles é lacrado. Ninguém pode entrar ou sair sem o consentimento dos seres inorgânicos. A única coisa que você pode fazer sozinho quanto está lá dentro é, claro,verbalizar seu intento de ficar. Dizê-lo em voz alta significa colocar em ação correntes irreversíveis de energia. Nos tempos antigos as palavras eram incrivelmente poderosas. Agora não são mais. No reino dos seres inorgânicos, por outro lado, elas não perderam o poder...” ( CASTANEDA, Carlos. A arte de sonhar, Ed. Nova era, Rio de Janeiro, pp. 197. 2º edição, 1994).


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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Não se esqueçam que um dia todos nós Morreremos!

“...A revolução classifica o levante como um ”fracasso”. Mas, para nós, um levante representa uma possibilidade muito mais interessante, do ponto de vista de uma  psicologia de libertação, do que as “bem-sucedidas revoluções burguesas, comunistas, fascistas, etc...”. (BEY, Hakim. Zona Autônoma Temporária, Ed. Conrad, São Paulo, pp. 21. 2º edição, 2001).




Pintura: Os saltimbancos, 1905 de Pablo Picasso


“...A familiar nuclear, com suas conseqüências ”dores edipianas”, parece ter sido uma invenção neolítica, uma resposta à “revolução agrícola” com usa escassez e hierarquia impostas. O modelo paleolítico é mais primário e mais radical: O bando. O típico bando nômade ou semi-nomade de caçadores-coletores é formado por cerca de cinqüenta pessoas...A  família nuclear é fechada, geneticamente, pela posse masculina sobre as mulheres e crianças, pela totalidade hierárquica as sociedade agrícola-industrial. Por outro lado o bando é aberto...O bando não pertence a uma hierarquia maior, ele é parte de um padrão horizontalizado de costumes, parentescos, contratos e alianças, afinidade espirituais etc. (A sociedade dos índios norte-americanos preserva até hoje certos aspectos  dessa estrutura”...). Idem, p.23.


“...Muitas forças estão trabalhando – de forma invisível – para dissolver a família nuclear e resgatar o bando em nossa própria  sociedade da Simulação pós-Espetacular...” Idem, p. 24.


“...O pior de tudo é que pessoas inteligentes e cultas vivem sua vida sem conhecerem a possibilidade de tais mudanças. Entram inteiramente despreparadas na segunda metade de suas vidas. Ou existem, porventura, universidades que preparem essas pessoas para sua vida futura e para suas exigências, da mesma forma como há universidades que introduzem os jovens no conhecimento do mundo e da vida? Não! Entramos totalmente despreparados na segunda metade da vida, e, pior do que isto, damos este passo, sob a falsa suposição de que nossas verdades e nossos ideais continuarão como dantes. Não podemos viver a tarde de nossa vida segundo o programa da manhã, porque aquilo que era muito na manhã, será pouco na tarde, e o que era verdadeiro na manhã, será falso no entardecer. Tratei um número muito grande de pessoas idosas e olhei para dentro da câmara secreta de suas almas para não mudar de idéia...” (JUNG, C.G. A Natureza da Psique, Ed. Vozes, 1971. Rio de Janeiro, p166.)





Pintura: Personaggi, 1960 de Mino Maccari.

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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O sol com frio se aquece com um papelão em um beco escuro...

  "Oh! Não Maldigam o mancebo exausto
    Que no vício embalou, a rir, os sonhos..."
Álvares de Azevedo



O bebedor de Absinto: Édouard Manet


"Eia! Bebamos!
És o sangue do  gênio, o puro néctar
Que as almas do poeta diviniza,
O condão que abre o mundo das magias!
Vem, fogoso Cognac! É só contigo
Que sinto-me viver. Inda palpito,
Quando os eflúvios dessas gotas  áureas
Filtram no sangue meu correndo a vida,
Vibram-me os nervos e as artérias queimam
Os meus olhos ardentes se escurecem
E no cérebro passam delirosos
Assomos de poesia..."

Álvares de Azevedo



A . Durero: La Melancolía

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domingo, 11 de outubro de 2009

O SOL SE PÔS FURADO...

"Outrora, se bem me lembro, minha vida era um festim onde se abriam todos os corações, onde corriam todos os vinhos.

Uma noite, sentei a Beleza em meus joelhos. — E encontrei-a amarga. — E insultei-a.

Levantei-me em armas contra a justiça.

Fugi. Ó bruxas, ó miséria, ó ódio, é a vós que meu tesouro foi confiado!

Consegui extirpar de meu espírito toda esperança humana. Pulei sobre toda alegria, para estrangulá-la, com o salto silencioso da fera.

Chamei os carrascos para, ao morrer, morder a coronha de seus fuzis. Chamei os flagelos para afogar-me com a areia, o sangue. A desgraça foi meu deus. Chafurdei na lama. Sequei-me ao ar do crime. E preguei boas peças à loucura.

E a primavera me trouxe o pavoroso riso do idiota.

Recentemente, quando me encontrava nas últimas, pensei procurar a chave do antigo festim, onde talvez eu recobraria o apetite".

Rimbaud, Arthur: Uma Temporada no Inferno


Georges Rouault: O palhaço ferido (c. 1933); tela, 2 x 1,20 m. Paris, Coleção particular.


"Pois bem, que assim seja! Que minha guerra contra o homem se eternize, já que cada um de nós reconhece no outro sua própria degradação... já que somos ambos inimigos mortais. Quer deva eu conseguir uma vitória desastrosa ou sucumbir, o combate será belo; eu, sozinho contra a humanidade".

Lautréamont: Os cantos de

Maldoror

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