“...A revolução classifica o levante como um ”fracasso”. Mas, para nós, um levante representa uma possibilidade muito mais interessante, do ponto de vista de uma psicologia de libertação, do que as “bem-sucedidas revoluções burguesas, comunistas, fascistas, etc...”. (BEY, Hakim. Zona Autônoma Temporária, Ed. Conrad, São Paulo, pp. 21. 2º edição, 2001).
“...A familiar nuclear, com suas conseqüências ”dores edipianas”, parece ter sido uma invenção neolítica, uma resposta à “revolução agrícola” com usa escassez e hierarquia impostas. O modelo paleolítico é mais primário e mais radical: O bando. O típico bando nômade ou semi-nomade de caçadores-coletores é formado por cerca de cinqüenta pessoas...A família nuclear é fechada, geneticamente, pela posse masculina sobre as mulheres e crianças, pela totalidade hierárquica as sociedade agrícola-industrial. Por outro lado o bando é aberto...O bando não pertence a uma hierarquia maior, ele é parte de um padrão horizontalizado de costumes, parentescos, contratos e alianças, afinidade espirituais etc. (A sociedade dos índios norte-americanos preserva até hoje certos aspectos dessa estrutura”...). Idem, p.23.
“...Muitas forças estão trabalhando – de forma invisível – para dissolver a família nuclear e resgatar o bando em nossa própria sociedade da Simulação pós-Espetacular...” Idem, p. 24.
“...O pior de tudo é que pessoas inteligentes e cultas vivem sua vida sem conhecerem a possibilidade de tais mudanças. Entram inteiramente despreparadas na segunda metade de suas vidas. Ou existem, porventura, universidades que preparem essas pessoas para sua vida futura e para suas exigências, da mesma forma como há universidades que introduzem os jovens no conhecimento do mundo e da vida? Não! Entramos totalmente despreparados na segunda metade da vida, e, pior do que isto, damos este passo, sob a falsa suposição de que nossas verdades e nossos ideais continuarão como dantes. Não podemos viver a tarde de nossa vida segundo o programa da manhã, porque aquilo que era muito na manhã, será pouco na tarde, e o que era verdadeiro na manhã, será falso no entardecer. Tratei um número muito grande de pessoas idosas e olhei para dentro da câmara secreta de suas almas para não mudar de idéia...” (JUNG, C.G. A Natureza da Psique, Ed. Vozes, 1971. Rio de Janeiro, p166.)
Pintura: Personaggi, 1960 de Mino Maccari.


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"Para cantar é preciso primeiro abrir a boca. É Preciso ter um par de pulmões e um pouco de conhecimento de música. Não é necessário ter harmônica ou violão. O essencial é querer cantar. Isto é, portanto, uma canção. Eu estou cantando".
Trecho: Trópico de Câncer de Henry Miller